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Níveis de evidência

Cada avaliação do BrightCheck carrega dois indicadores: um grau de recomendação (A a D) e um nível de evidência (1 a 5). Os dois se referem à mesma pergunta — o que a ciência sabe hoje sobre tratar aquela condição com neuromodulação.

O que é nível de evidência

Nível de evidência é um sistema de classificação que avalia a qualidade e a robustez científica das pesquisas que sustentam o uso de uma intervenção. Ele existe para que médicos saibam o quanto podem confiar no resultado de um estudo antes de aplicá-lo na prática clínica. Faz parte da Medicina Baseada em Evidências e costuma ser representado como uma pirâmide: quanto mais perto do topo, menor o risco de vieses.

A pirâmide

  1. 1 Revisão sistemática ou metanálise consistente
  2. 2 ECRs multicêntricos, ou metanálise heterogênea
  3. 3 Coorte, caso-controle, ou ECRs pequenos e isolados
  4. 4 Série de casos ou relato de casos
  5. 5 Opinião de especialista, estudo in vitro ou em animais

O qualificador de consistência no nível 1 é deliberado. Praticamente toda técnica de neuromodulação já tem metanálise publicada — inclusive para condições onde ela não funciona. Sem exigir que os resultados sejam convergentes, quase tudo cairia no nível 1 e o indicador não diria nada. Oxford CEBM e GRADE aplicam o mesmo critério.

Nível não é a mesma coisa que grau

São dois eixos independentes. O nível classifica a qualidade do estudo. O grau diz se o tratamento deve ou não ser feito.

Os dois se dissociam com frequência. Um nível alto não promete um grau alto: ele diz que a pergunta foi bem estudada, não que a resposta foi boa — um estudo de topo pode perfeitamente concluir que o tratamento não funciona, ou que funciona pouco. Parkinson nesta tabela é nível 1, com metanálises convergentes de ensaios randomizados, e ainda assim grau B: o que essas metanálises encontram é um ganho motor modesto e de curta duração.

O que o BrightCheck está medindo

O par grau · nível se refere à neuromodulação não-invasiva — rTMS, tDCS, tACS e tVNS — como tratamento para aquela condição. O que ele não é:

Grau e nível de cada avaliação

AvaliaçãoGrauNívelPor quê
DepressãoA1

As diretrizes europeias de rTMS classificam a estimulação de alta frequência do córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo como Nível A — eficácia definida. O rTMS é liberado pela FDA para depressão desde 2008 e aparece em diretrizes clínicas amplamente adotadas.

Dor CrônicaA1

As diretrizes europeias classificam o rTMS de alta frequência do córtex motor primário contralateral ao lado doloroso como Nível A para dor neuropática. O Nível A vale para o componente neuropático, não para toda dor crônica — é o DN4 aplicado nesta triagem que identifica esse componente. Quadros predominantemente nociceptivos ou nociplásticos têm evidência mais fraca e aparecem separados nesta tabela, caso da fibromialgia.

EnxaquecaA1

As diretrizes da International Headache Society de 2025 revisam sistematicamente os ensaios randomizados dos dispositivos não-invasivos com liberação da FDA ou marcação CE e recomendam seu uso no tratamento agudo e preventivo da migrânea. A metanálise de ensaios randomizados encontra risco relativo de 1,66 para ausência de dor em duas horas e de 1,52 para alívio em duas horas. Cinco dispositivos têm liberação da FDA para migrânea, entre eles estimulação magnética de pulso único, estimulação trigeminal externa e neuromodulação elétrica remota.

Neuropatia PeriféricaA1

Recebe a mesma recomendação de Nível A das diretrizes europeias para dor neuropática: rTMS de alta frequência do córtex motor primário contralateral ao lado doloroso. A triagem tem etapa dedicada de dor neuropática e aplica o NPSI, de modo que a população avaliada é a mesma a que o Nível A se refere.

ParkinsonB1

As diretrizes europeias classificam o rTMS de alta frequência do córtex motor bilateral ou do pré-frontal dorsolateral esquerdo como Nível B para comprometimento motor. Metanálise de 12 ECRs com 381 pacientes encontra tamanho de efeito de 0,51 nas escalas motoras. O tDCS isolado não mostrou diferença em relação ao sham, nem no UPDRS-III nem em desfechos cognitivos.

AnsiedadeB2

Metanálise publicada no International Journal of Neuropsychopharmacology encontra efeito grande no transtorno de ansiedade generalizada, com diferença média padronizada de -1,86. São 6 estudos e 152 participantes: as amostras são pequenas, a heterogeneidade de protocolo é alta e não há consenso sobre parâmetros de estimulação.

BipolaridadeB2

Revisão sistemática e metanálise de 2025 reúne 56 estudos e 1.709 pacientes — 31 deles ECRs — com resposta de 46,8% e remissão de 28,3%, taxas semelhantes às da depressão unipolar, tamanho de efeito de 0,40 contra sham e risco baixo de virada maníaca. Os próprios autores registram alta heterogeneidade entre protocolos, o que mantém o nível em 2.

FibromialgiaB2

As diretrizes europeias dão Nível B ao rTMS de alta frequência do córtex motor esquerdo para qualidade de vida e do pré-frontal dorsolateral para dor. As metanálises divergem entre si: uma, com 11 ECRs e 303 pacientes, encontra ganho de dor e de qualidade de vida sobre o sham; outra, restrita ao córtex motor primário, não encontra ganho de dor; e uma terceira, de tDCS, encontra redução da intensidade de dor com diferença média padronizada de -1,55. É essa inconsistência que mantém o nível em 2.

InsôniaB2

Metanálise de 36 ensaios, extraídos de 28 estudos e somando 2.357 participantes adultos, encontra melhora do índice de qualidade de sono de Pittsburgh sobre o sham. A qualidade metodológica é moderada e os estudos se concentram em poucos centros.

TDAHB2

Metanálise de 2025, com 8 ECRs e 325 pacientes, encontra melhora de desatenção e de hiperatividade-impulsividade, com diferenças médias padronizadas de -0,94 e -0,98. Metanálise de 2024, com 6 ECRs e 169 participantes, não encontra diferença no escore global de sintomas e só acha ganho de desatenção quando o alvo é o pré-frontal direito, sem efeito em hiperatividade. A estimulação trigeminal externa tem liberação da FDA desde 2019 para uso pediátrico. Protocolos heterogêneos e resultados divergentes mantêm o nível em 2.

TOCB2

O ensaio multicêntrico randomizado e duplo-cego da estimulação magnética profunda com bobina H7 encontrou resposta de 38,1% contra 11,1% no sham, em 99 pacientes de 11 centros — base da liberação da FDA em agosto de 2018. Dados pós-comercialização de 22 centros sustentam o uso fora do ensaio. As diretrizes europeias de 2020, com corte de literatura em 2018, não alcançaram Nível A nem B para esta condição — daí o nível 2.

TEAC2

As sínteses divergem entre si. A network meta-análise de 2024, com 16 ECRs e 709 participantes, não encontrou ganho em comunicação social nem em comportamento repetitivo em nenhuma das 14 intervenções testadas — só o tDCS anódico do pré-frontal dorsolateral esquerdo, pareado com cátodo extracefálico, melhorou o escore global de sintomas. As sínteses posteriores são positivas em desfechos mais estreitos: a de 2025, restrita ao TEA intelectualmente capaz em crianças e jovens, encontra ganho de função cognitiva e de comportamentos repetitivos com rTMS de baixa frequência no pré-frontal dorsolateral; a de 2026 aponta o tDCS anódico do mesmo alvo como o protocolo mais consistente para reconhecimento de emoção, teoria da mente e responsividade social. Os autores desta última classificam a evidência como de baixo grau, com amostras pequenas e alta heterogeneidade.

SCA3 / Machado-JosephC3

Dois ensaios randomizados sham-controlados, com resultados opostos. O tDCS cerebelar duplo-cego, com 20 pacientes e dez sessões, não encontrou diferença na variação do SARA entre os braços em nenhum momento de avaliação — melhora houve nos dois grupos, inclusive no sham. A estimulação por corrente alternada de 70 Hz encontrou melhora da ataxia e da qualidade de vida. Uma técnica positiva num único ensaio pequeno, contra outra que falhou o desfecho primário, sem metanálise conclusiva nem ensaio multicêntrico.

Performance e prevenção

As avaliações a seguir não recebem grau nem nível: Distúrbios Neurológicos, Longevidade Cerebral, Performance Atlética, Performance Cognitiva. Elas não rastreiam uma condição a ser tratada — organizam hábitos, desempenho e fatores de risco, ou apenas orientam qual avaliação faz sentido a seguir. Não há recomendação de neuromodulação a fazer, e inventar uma nota para elas sugeriria um degrau abaixo de D, que seria falso.

Antes de tirar conclusões

O BrightCheck é uma ferramenta informacional. Ele não emite diagnóstico, não substitui consulta médica, não prescreve tratamento e não deve ser usado como base exclusiva para decisões de saúde. Um grau A não significa que a neuromodulação é indicada para você — significa que existe evidência forte para a condição em geral. Só um profissional habilitado pode avaliar o seu caso.